Pequena crônica de amores e de cidades

Uma cerveja, um copo, um bar, talvez mesmo um pouco de vodca, ou uma esfia que infiltrou-se na conversa como um copo de bitter… Nada, não pensemos tanto, que as tardes do verão serão devoradas por Chronos, em desatinos contados em minutos, em nanossegundos… Os dias passarão de uma forma leve, quase etérea, e o verão nada mais quer que isso, se temos de trabalhar, de suar, então que seja por uma expectativa de prazer… O verão flui, o inverno quer a produção. O verão é pós-moderno, o inverno é industrial ainda, coitadinho… Espremidos entre o sol e o frio, melhor que tenhamos um pouco de sol, para iluminar nosso descanso.   

Mas desconheço tua cidade, não tenho ideia do sotaque dos seus habitantes, e apenas presumo ruas e vielas que nem em sonhos eu vi, parafraseando Mário Quintana, poeta universal de Porto Alegre. Então, lá estou pensando na possibilidade de haverem lampiões na tua cidade e pássaros que nos finais de tarde voem libertos. O que sei, a não ser que chegarei no verão, como um vento repentinamente sobressaltado que espanta a modorra e o sono e  sobe vertiginoso aos céus, espalhando os polens dos amores teus? 

E mesmo assim eu quero vê-las, às ruas, às avenidas e aos trechos das tuas passagens. Feliz cidade feminina, lasciva bacante e romana à luz das sombras dos teus verões…

Que há na tua cidade, que mais a diferenciar-se e oferecer-se como consumo aos cidadãos nervosos?

Talvez uma visão de arquitetura futurista, mas não a de Gaudí, que esse Antoni está em Barcelona.. Não, mas há uma beleza imensa na tua cidade, e ela não provêm sequer da Casa del Pueblo, mas, sim, da energia que reescreve nas ruas as histórias das cidades… 

Não, não estou perto da tua casa e apenas me vem a lembrança esvaída de alguém que não tocou sequer a suavidade dos teus ombros…  

Deixa, pois, que eu cante não as questões delicadas e sensíveis das ausências ou das esperanças, mas que aprecie, sim, o continuum de uma busca que perdeu-se, ali mesmo, bem na esquina, como um sonho de moleque…   

Ai, cidades, há de haver uma em tua alma, um encanto que soprou em minhas porto-alegrenses tardes de desvãos…há de haver também uma Veneza-Gôndola e um resto de noite com uma soberana lua para que eu possa estar envolvido em teus braços, esquecido de tudo quanto de mais exista, a não ser do teu perfume e dos teus seios amantes e desejados pelos nossos sentidos e vontades.  Ali está a luz da tua cidade, seu movimento, seu burburinho, seu sol e suas tardes de verão.   

Quero embriagar-me dos teus cheiros, cidade maravilhosa, onde se dobra uma esquina e se ouve o som de um sax, o riso de uma anciã, uma fímbria de saudade e uma polifonia de ruídos…  

Então agora me calo, pois que talvez tenha despertado tantas ironias ou malquerenças que seja hora de partir, de recolher-me aos meus esconso, como se fora um desafortunado comentarista burlesco em que se apagou, no último minuto, a predição de rir, pois que da mesma restou, incólume, apenas o som da tua boca. HILTON BESNOS

  

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