Um oásis

Resultado de imagem para ponto de partida

 

Os camelos varavam o deserto, enquanto eu esperava por ti. Era mais ou menos assim, no deserto, com muita sede dos teus néctares que eu me desencontrava. Apenas me restou tua maior ausência.  Um oásis, eu necessito de um mas – por favor – sem odaliscas. Minhas energias se esvaíram e tudo parece ter perdido o sentido. Sei que não voltarás, te foste e isso é um fato que não posso discutir ou alterar, e, se algo ficou foi o desejo de compartilhar-me contigo, redescobrir talvez algum clarão de lua, mesmo um poema subitamente surgido do teu olhar.

Se as memórias são uma idealização do que vivemos, mesmo o que vivemos se perde entre nossos desejos. Ilusões, as memórias são ilusões que manipulamos de acordo com nossas vontades. O presente é tua partida, o presente é a tua presença enevoada em alguma paragem, em alguma estrada, em algum caminho incerto. Não havia certeza, mas meu desejo, sempre ele, traiu mais uma vez meu entendimento.

Estou embotado pelas minhas recordações, pelos meus sentidos que mais uma vez se entregaram aos sentimentos. Sou, eu mesmo, uma ilusão. Um fractal. Uma semana que se esgota rapidamente, um evento. Sou um evento, com horário marcado, com sorrisos calculados, com reticências expulsas. Talvez por isso me engane tanto, embora também haja uma parte de mim que às custas da sedução, aos outros encanta. Novamente aqui, aguardando, espreitando qualquer um, qualquer uma que me diga algo gratificante, que me tome nos braços, que reinicie o signo da envolvente paixão.

A tua ausência não permite que eu exerça sequer as minhas desconfianças. Não estás aqui, partilhar o que com quem? Ser visto por quem? Ser amado por quem? Se não posso dar-me a mim mesmo, a quem devo me submeter para triunfar sobre minhas idiossincrasias? Um oásis…, por favor, você viu algum? Necessito de ti para que digas quem eu sou, o que sou, pois não posso conviver com o meu passado, vazio de um tudo como um copo que insiste em transbordar de fel. Não virás, contudo, és apenas memória, e não quero chorar por ti, pois seria chorar pela minha própria solidão. HILTON BESNOS

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s