Amizades, dúvidas, perguntas e, por vezes, respostas

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Por vezes dúvidas ficam por aí, e devem ser feitas, sob pena de se tornarem desagradáveis e flutuantes espectros. Devemos então, quase que necessariamente, perguntarmos, para encontrarmos uma via de acesso para confirmar ou não tais questões. Simples assim. No entanto, o complicador é que devemos saber o que perguntar e, especialmente, para quem perguntarmos. E mais, devemos seguir o que nosso eleito nos diz, o que não significa temos certeza absoluta da resposta, mas é o que mais se aproximaria do que perguntamos. Muito tempo jogamos fora com banalidades, de temas redundantes, de bobagens das quais nós mesmos sabemos as respostas, e se o fizemos é simplesmente para nos divertirmos, para escutar o óbvio (que Nelson Rodrigues chamaria de o óbvio ululante) e para glosarmos nossos pontos de vista. Aí, em tais circunstâncias, vividas no plano do descartável, admitimos e mesmo incentivamos que todos opinem, sendo ou não chamados à conversa, o que nos lota os ouvidos de lugares-comuns. Nesses casos, os palpiteiros de plantão dizem o que bem entendem e a gente suporta. Ponto.

Quando o assunto, no entanto nos é relevante, são poucas as pessoas para quem podemos perguntar algo e obter uma resposta razoável. Diria mais: que só temos amigos verdadeiros quando podemos lhes perguntar o que nos é realmente sensível, quando podemos nos desnudar. Isso é bem mais complicado, pois quando o fazemos, abrimos guarda, mostramos realmente uma parte do que somos, revelamos o que, em outras circunstâncias, não faríamos. Assim, temos nossa diminuta lista de amigos. Os mesmos, aqui, independem de aspectos sociais ou profissionais. O paradoxal nesta história é que ou nos revelamos a quem é verdadeiramente amigo ou a quem é um desconhecido total. De nenhum dos dois tememos: um pelo laço, pelo vínculo, pela estreita relação e o outro justamente pelo contrário, contando com a esperança de que jamais o vejamos novamente. Uma passagem, uma conversa, um zás!

E assim vivemos nós, de buscarmos e de sermos buscados. O que se nota é que as verdadeiras amizades são cada vez mais raras, mais preciosas justo por isso. A amizade que não é casual, que não é meramente profissional, que não é feita por interesse ou por vaidade, perdura. É indispensável que amigos colecionem certas indiscrições, certas confissões que somente aos mesmos diríamos.

Certa vez li algo muito interessante, que existem três níveis de vida, a pública, que todos sabem e conhecem e que faz parte dos nossos interesses mais comuns, abertos, verticalizados, lineares; a privada, que poucos conhecem, somente aqueles a quem permitimos conhecerem, e a secreta, aquela que escondemos, muitas vezes de nós mesmos, por não querermos enfrentar as suas consequências ou por não poder suportar a opinião de terceiros. A amizade verdadeira reside justamente na vida privada; o demais, pertence aos psicanalistas, aos médicos, aos advogados ou com quem tenhamos o rabo preso, de tal forma que, se revelada, levaria à reprovação pública não somente nós mesmos mas com quem compartimos tal situação.

De todo, todos são bem vindos, de modo a que, mutatis mutandis, possamos estabelecer, dentro da indefectível margem de erro, o que faremos. Erremos, pois, não no sentido comum que se dá ao vocábulo, mas o que implica, de certo modo, em errar, navegar, buscar o caminho. Talvez, aqui, o que mais devamos ter cuidado é com nossa própria avaliação, não apenas do outro a quem recorremos mas, especialmente de nós mesmos. HILTON BESNOS

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