Jogando fora o direito subjetivo à educação

 

TEM NOITES na Educação de Jovens e Adultos – EJA – da Escola Municipal Chico Mendes, onde trabalho,em que a frequência é algo que te deixa pensando nos direitos à educação.

Na turma T5X temos o seguinte quadro:

PS: Aqui denominamos de Turma T5X para não violarmos o número correto da turma, mas os dados são reais e retirados da folha de chamada diária da mesma.

TURMA t 5x
Nº de alunos matriculados e constantes na lista de chamada 44
Nº alunos normalmente infrequentes ou evadidos e retirados, já da lista de chamada 26
Nº de alunos que frequentam a turma e estão na lista de chamadas 18
Nº de alunos que são habitualmente ou ocasionalmente infrequentes 09
Nº de alunos que são habitualmente frequentes 09
Nº de alunos frequentes HOJE na sala de aula 04 

Resumindo, quando iniciamos tínhamos quarenta e quatro alunos e hoje, em aula, temos quatro, de uma média de nove que vem à aula. É muito pouco. Ocorre que tal situação é recorrente em todas as disciplinas.

Habitualmente chamo a atenção dos alunos para tal fato e lhes digo que a EJA da escola onde trabalho corre o risco de simplesmente ser eliminada pelo sistema, diga-se, pela Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre. A direção da escola, que assumiu em março de 2011 tem feito um enorme esforço junto aos alunos para conscientizá-los a assistir as aulas, e os professores idem; mais, digam os alunos porque e a que se matricularam, mas as verdadeiras campanhas de convencimento não tem se revelado eficazes, se observarmos o movimento dos alunos nas listas de chamada.

Talvez o motivo principal seja o de que a educação não é tomada em razão do seu valor em si, mas de sua utilidade prática, quase uma troca capitalista.

Me inscrevo no sistema e recebo alguns bônus em troca e o resto que fique por conta da escola.

Os ventos, contudo, tendem a mudar, mas não no sentido de serem mais favoráveis para alunos e professores. Ainda vai chegar o momento em que o sistema vai entender que manter a EJA é economicamente dispendioso e vai fechar esse nível de ensino, remanejando professores, operando reengenharias de pessoal e deixando alunos a ver navios. Se isso ocorrer, talvez vejamos movimentos comunitários se levantando, bandeiras políticas serem hasteadas e discursos no sentido de que os menos favorecidos estão sendo vítimas de perseguição.

Muitos bradarão pelo direito à educação, à cidadania, pelos direitos humanos e quantos mais houver. Pode ser que mesmo os alunos que habitualmente são infrequentes estejam portando tais bandeiras para defender os mesmos direitos que eles próprios, enquanto sujeitos, desprezaram. HILTON BESNOS

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