Queria morrer como um elefante

 

O elefante afastou-se da manada. Sabia que havia chegado o momento de morrer.

Os elefantes reservam-se o direito de morrer em paz.

Nós, humanos, não podemos tanto.

Nossa morte normalmente é documentada, de uma ou outra forma. Temos certidões de óbito. Alguém atesta que morremos, em primeiro lugar o médico, em segundo o Poder Público. Quando morremos geramos certidões, herdeiros, trabalho para advogados, para a Justiça, para cartórios, para prestadores de serviços, enfim, há muita gente que lucra com a nossa morte.

Em compensação, podemos, pelo menos teoricamente, determinar se queremos virar literalmente pó, ou se queremos ser enterrados em uma parede ou no solo. Digo teoricamente, porque nossas formações religiosas impõem regras. A não ser que sejamos indigentes, miseráveis e ninguém reclame nosso corpo. Temos então a probabilidade de que, post mortem, sirvamos para que jovens estudantes estudem nossas omoplatas, nossas costelas, talvez nossos músculos. Ou eles ou algum perito judicial.

Assim, como vemos, não só as possibilidades são muitas após a morte, do ponto de vista material, como igualmente são muitas do ponto de vista transcendental. Para uns, acabado o corpo, acabou tudo. Para outros, dependendo do que fizermos, vamos para o limbo, para o inferno ou para o céu. Para alguns, reencarnaremos até aprendermos o que, nessa vida, ignoramos. Ainda há aqueles que creem na vida eterna, em um Poder Maior que nos perdoará e orientará quando, enfim, nossos pulmões e nosso cérebro simplesmente nos abandonarem.

Vamos deixar por aqui muito, muito mesmo, talvez bem mais do que possamos supor.

Um dia, vão rezar por nós, e talvez até estejam certos em fazer isso, embora uma parte da humanidade vá classificar tais atos de rememoração como vazios, sem sentido, submissos, vãos. Não importa. Afinal, feliz ou infelizmente, não somos elefantes. HILTON BESNOS

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