Eu sou arbitrário e mando

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Eu sou arbitrário, você é arbitrário. Temos a pretensão de não reconhecermos os nossos pecados, os nossos erros, as nossas idiossincrasias. Temos a pretensão de sermos ilhas de beleza espiritual em meio a um mar de calamidades ambulantes ao qual chamamos genericamente de “os outros”. Eles, os outros, mentem, eu não; os outros são corruptos ou corruptores, eu não; os outros são displicentes, maldosos, caluniadores, fofoqueiros, incompetentes, fornicadores, interesseiros, pobres de espírito, maliciosos, sub-reptícios, feios, ignorantes, inconsistentes, depressivos, melancólicos, autoritários, estreitos em suas visões de mundo, além de acumularem uma listagem bastante considerável de defeitos, problemas e demências genéricas ou específicas.

Eu não. Em mim reside a pretensão do melhor. Meus argumentos são os mais interessantes, minhas aquisições são as mais coerentes, minhas leituras são as mais inteligentes e a minha modéstia a mais cara. E, se não sou nada disso, e tenho consciência de minhas limitações, posso afirmar, tranquilamente, que, pelo menos, se não tenho qualquer qualidade de monta, qualquer charme ou encanto pessoal, tenho coisas que possuo. E, aí está minha grande qualificação, porque não?

Afinal, quem está realmente interessado no que eu sou? Muito pelo contrário, estão interessados no que possuo, no poder que possa ter, no acúmulo de bens materiais que eu possa carimbar como meus. Felizmente vivo na época do ter, e como herdei muito, mais fiz em acumular cada vez mais o que podia haver. Ainda bem que ninguém me perguntou, até hoje, como consegui acumular tanto, é verdade, e se alguns da imprensa me procuram de vez em quando para que eu diga a fórmula do sucesso, saio por aí a dizer obviedades que reinvento da melhor forma.

Nesses momentos de puro prazer, em que meu hedonismo simplesmente me encharca de um orgulho de todo sem sentido, agradeço e penso: Deus, que felicidade me concedeste ao me fazeres nascer em um quadrante da história tão imbecil! Que agradável conviver em meio a pessoas que só estão preocupadas com o material! Que maravilha que à excelência sobreveio o anarquismo do consumo! Oh, que época gloriosa essa em que se confunde sentimento com sensação, humor com ironia, pensar com agir, refletir com anuir, sexualizar ao invés de sensualizar, fruir com fluir, reduzir com complexificar!

Ah, Deus, que deliciosa sensação de poder me invade quando percebo, tão claramente, que o mundo é feito para quem, como eu, dispõe de muito enquanto outros se debatem…OUTROS! Eles de novo…Um nada, o que são… Um nada… HILTON BESNOS

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