Descarte afetivo pós-57

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POIS O FACEBOOK E OUTROS CONGÊNERES ME ALERTARAM que não sou mais um ser desejável, do ponto de vista de uma boa parcela (a esmagadora, sem dúvida) das usuárias das redes sociais.

A minha idade, 57, me descarta completamente do paraíso virtual das imagens nas quais moças/moçoilas exibem seus belos rostos (às vezes um pouco mais, é verdade…), afirmando buscar conhecer rapazes (aqui, é possível que nem sempre “conhecer” esteja em seu significado bíblico, embora tanto não seja obviamente descartado…) até “x” anos (sendo a variável “x” sempre abaixo da minha idade atualíssima).  Poucas as que se aventuram além dos cinquenta anos. Logo, grosso modo, estou excluído pro tempore de mercado tão sedutor.

Realmente, vamos convir, nunca fui (menos ainda agora) um rapaz “sarado”, e muito menos tenho um estômago delgado ou “tanquinho”, sequer sou uma pseudo-celebridade e também não posso dizer, de sã consciência, que meu crédito é ilimitado.

Não sou CEO de qualquer corporação.

Igualmente não detenho poder político ou econômico que me permita transformar pedra em porcelana ou, ainda, submeter pessoas às minhas vontades, conforme aprendi, sempre em boa hora, lendo A Anatomia do Poder, de Galbraith1.

Na medida em que o tempo flui, menos serei convidado a participar de encontros descartáveis (para usar uma linguagem bastante utilizada em Bauman), a não ser que utilize de ardis, que iniciam com esperanças e desejos e são extinguíveis a um clique instantâneo.

No entanto, tal descarte não me atemoriza, deprecia ou aborrece, apenas sinaliza claramente o que, de todo, já sabia, o que os fatos gritam: o meu encaminhamento para circunstâncias onde as realidades são novas, distintas do mundo meramente virtual.

Reconheci, há tempos, que o amor, a amizade, a paixão e o desejo dispensam o virtual, embora o último possa ser caminho para os primeiros. Tais sentidos e significações prescindem de uma apresentação edulcorada, embalada em blister dourado ou prateado. Igualmente tais sabores não são obrigatoriamente encontrados em festas rave, em excitações sagradas regadas a rock ou heavy drinks.

Para o todo que até hoje vivi, um bom jazz, uma Amy Winehouse, um Arvo Prätt, uma Buenos Aires brumosa, um toque de pele, muito humor e pessoas criativas e inteligentes já compõem um belo cenário. Com a vantagem de que, para tanto, não é imprescindível estar continuamente alimentando celulares e redes sociais. Não aos 57. HILTON BESNOS

PS: Daqui a alguns poucos dias estarei completando 61 anos!

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