Os judeus, por uma goy quase judia

Os judeus, por uma goy quase judia.

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GABRIELA MARQUES

Não é de hoje o meu amor incondicional pela religião judaica. Basicamente, é desde que nasci, pois é desde essa época que meus pais me inseriram nesse mundo. E fui crescendo com eles, aprendendo , convivendo, até namorando com eles e minha admiração só aumenta. Há quem diga que não vai ter jeito, vou ter que me converter um dia. Eu confesso que já pensei algumas (várias) vezes, mas isso envolve muitas coisas que renderiam uns 10 textos em média.

O ponto aqui é que com essa convivência assídua de tantos anos, principalmente com as minhas amigas e amigos de infância, eu fui aprendendo e me dando conta de um monte de coisa sobre o judaísmo. Aprendi coisas lindas sobre a tradição e os valores familiares (que eu acho o mais incrível e admirável de tudo), aprendi sobre o sofrimento e a injustiça que já passaram na guerra e com toda a discriminação até hoje. Fui pra Israel e entendi a energia e o que ele aquele lugar significa e porque ele é digno de tanta briga por espaço. Aprendi que esse estilo de se juntar, e se unir, e as vezes até evitar que “gente de fora” entre, muito mais que uma maneira de manter os valores, é para uma certa proteção e certeza que as coisas não vão se perder. Aprendi a admirar cada uma das tradições e festas, participando das que pude e comendo as comidas que, na minha opinião, são divinas (caem como cimento no estômago, mas são divinas!). Entendi cada detalhe tão especial e pensado da cerimônia e de toda a festa de um casamento judaico. A chupá, a entrada do hazan, as 7 voltas, o vinho, a aliança no indicador, a última semana que os noivos não se falam, a animação da festa, a cadeirinha e tudo mais.

Foram anos de convivência, mais um monte de coisa que eu busco, leio, estudo, mais a Kabbalah e um monte que aprendi sobre a religião judaica e mais especificamente, sobre os judeus. Tem tanta mania e coisas únicas que vale ressaltar algumas aqui. É bem curioso. Se você não é judeu, você é goy. Não importa que religião tenha. Não é discriminação, é uma denominação, é tipo: não brasileiro = gringo. Não judeu = goy. (A mãe de um ex namorado dizia que eu poderia me apresentar como Gabriela Goytchman para os que enchessem o meu saco que eu não era judia!). Judeu não vai ao hospital, vai ao Einstein. Judeu não tem faniquito, tem schpilkes. Muito menos tem aflição ou nojinho, tem nizchguit. Judeu não tem empregada, tem xicse e não é moreno do sol, é schvartz. Judeu não tem mais de uma babá, tem babot (tá, essa eu inventei! Haha). Judeu não tem réveillon, tem Rosh Hashaná, que vem logo após o Iom Kipur, que são 25 horas sem comer. Nem água? Não, nada! E depois tem Sucot. Judeu não deseja Feliz Ano Novo, deseja Shaná Tová. Nem sai de casa mal vestido, sai schleper.

Judeu não vai para Israel, vai para Eretz. Eles não são diferenciados, são o povo escolhido. Não vão ao clube, vão na Hebraica (e não NO Hebraica, como muitos dizem). Ser judeu, não significa que você é da mesma “turma”. Você pode ser sefaradi, askenazi, e dependendo da descendência, pode ser cohen, israel e levi. (Tava pensando que era fácil?). Judeu não tem mãe pentelha, tem idish mame. Judeu não faz encontro de família sexta a noite, faz shabat. Judeu não é intolerante à lactose e vegetariano, é kasher. Judeu não faz reza e fala oi, tchau e paz, fazem a bracha e dizem shalom. Judeu não é celíaco na páscoa, eles respeitam Pessach e portanto não comem fermento nem farinha. Judeu não casa só com judia, mas é que “seria mais fácil e se eu pudesse escolher, prefiro…”. Judeu não agita um casal, faz shiduch. Também não faz boa ação, faz mitzvah. Judeu aprende inglês e hebraico na escola (mas depois percebem que não sabem falar nem uma frase completa chegando em Israel). Judeu não deveria fazer tatuagem porque o corpo é emprestado. Judias não fazem festa de 15 anos, fazem bat-mitzvah aos 12 anos. Judeus não gritam “saúde” eles brindam com Lechaim e dizem Mazal Tov em comemorações.

Dentre tantas outras coisas…

Ah gente, de verdade, tem como não amar esse povo? É tanta particularidade, tanta tradição e palavra difícil que é impossível não se apaixonar. Então fica aqui um pouco do meu aprendizado que resolvi dividir. Bem pouco mesmo, porque tem tanto mais… que eu passaria páginas escrevendo ou horas contando. Perdoem os erros de escrita, dentre as línguas que eu falo, hebraico e idish definitivamente não são parte delas. E se você tem amiguinhos judeus, junte-se comigo na campanha “Adote um judeu no Natal”. Eu garanto que eles vão adorar. Na minha casa é tradição, e tem sempre, mais judeus que goy. É isso. Shabat Shalom. (Ai, hoje não é sexta, é segunda. Damn it.) Bom… shalom. Shavua tov! Fiquem com D’us.

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