“É simples ser complexo, mas é complexo ser simples” Antoine de Saint-Exupéry

É simples ser complexo, mas é complexo ser simples” Antoine de Saint-Exupéry 20/05/2011
Por: Lais Locatelli
laislocatelli@gmail.com

A frase que dá nome à coluna foi magistralmente escrita por Saint-Exupéry. Trata da complexidade de ser simples. Quem já não conheceu pessoas com mania de complicar o entendimento alheio, através das falas, dos discursos, das explicações e mesmo dos livros? Como se falar “enfeitando” com vocabulários técnicos ou rebuscados lhe conferisse um poder: o poder do conhecimento, quase um poder de ser especial, é um tentar se fazer especial. Não me parece que seja.

A simplicidade tem uma séria desvantagem e uma grande vantagem. O mito do simples pode cair na vulgaridade de não ser especial. Mas pode também, ser ricamente compreendido. Em contrapartida o complexo pode passar a ideia de incompreensível, de ser inatingível, resultando como um repelente.

Penso que não há nada mais brilhante do que saber simplificar. Ler Freud é espetacular, uma linguagem acessível para qualquer leigo em psicanálise, mesmo sendo livros científicos. São mais que isso: são livros de composição de uma nova ciência que ele mesmo teorizou. Milan Kundera em seu A insustentável leveza do ser, descreve o humano através do romance de Thomas e Teresa com uma sutileza divina, simplesmente… fantástico.

Como Freud e Kundera eu poderia citar muitos escritores que cativaram um universo de leitores. Poderia citar Martha Medeiros, Arnaldo Jabor, Luís Fernando Veríssimo. Escritores que nos fazem companhia do dia a dia, no jornal impresso de domingo, no telejornal da meia noite… e que nos ajudam a compreender a nós mesmos e o grande cenário onde desempenhamos nossos papéis, a grande teia: social, política, econômica, os valores que nos convidam a movermos ou que freiam nossos instintos, os nossos sentidos, as nossas emoções… enfim, eles nos ajudam a viver, a descomplicar, mesmo quando nos deparamos com nossos próprios paradoxos.

E essa é uma busca de cada ser humano como indivíduo: compreender. E para que se pode compreender, tem-se que simplificar. Aos meus queridos amigos políticos deixo um pedido: descompliquem! Escrevam vocês mesmos seus discursos… Enxuguem as 15 páginas em 5 minutos de fala clara, coerente, cortem o “nós” porque nós não vamos lutar, nós não vamos trabalhar juntos nem em conjunto, nós não vamos nem sequer receber seu salário com mais de 60% aumento juntos. Poderia passar dias a escrever sobre vocês, meus queridos amigos políticos. Mas isso seria demasiado complicado, porque nem eu, nem a maioria do universo, podemos compreender esse grande teatro e, especialmente, os bastidores dele.

Por fim, lhes deixo com outra frase de Saint- Exupéry, escrita no Pequeno Príncipe, uma obra que se eternizou e comoveu o mundo com a beleza da simplicidade: “A verdade não é, de modo algum, aquilo que se demonstra, mas aquilo que se simplifica”.

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