Família é carma, amizade é darma

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O Tribunal da Justiça Divina é formado pelo regente Anúbis e seus 42 juízes. A Lei Divina tem como base a justiça e a misericórdia.   Se ao pesar nossas ações em uma balança, o prato das boas ações estiver mais pesado o resultado será um Darma, que é uma recompensa pelas boas obras que fazemos. O Darma (do sânscrito Dharma) significa também realidade ou ainda virtude.  Se ocorrer o contrário, se o prato das más ações estiver mais pesado, o resultado será um Carma para nós, ou seja sofrimento, dor, adversidades, etc.

A palavra de origem sânscrita Karma significa ação. Podemos entendê-la como lei de ação e conseqüência.http://www.divinaciencia.com/licao.php?cmd=1&id=22

Costumamos dizer que parente é carma e que amigo é darma. Não escolhemos a família na qual viveremos e isso fica mais evidente no casamento ou na união estável. A outra parte sempre traz consigo o kit família, que pode ser mais ou pode ser menos palatável. No entanto, voltando ao carma, às complexidades das relações interpessoais no bojo familiar, há uma que remete justamente à questão da obrigação.

Aqui se abrem duas possibilidades: a da afetividade, da ética e da moral (não se fala, aqui, do moralismo) e a hipótese de caráter contratualista, que remete ao direito de família e seus regramentos institucionais ou, para ser mais claro, aos deveres de mantença que uns parentes detém em relação aos outros seus familiares, dentro de um cenário regido por laços sanguíneos. Assim, também o direito das sucessões.

As culturas irão irrigar as configurações das relações familiares; em seu íntimo, muitas situações delicadas são resolvidas na base do “você tem a obrigação disto ou daquilo porque fulano é seu pai, ou mãe ou avó, e assim por diante”. Quando se utiliza esse tipo de argumento ou essa pressão pretensamente moral para obter determinados resultados, entendo que estamos dentro do campo do juris, do contratual,  o que, não raro, cria constrangimento entre os familiares e, mais comum, faz crescer mais ainda os abismos já existentes na própria inter-relação dos irmãos, pais, tios, sobrinhos, etc.

Se reforça o caráter obrigacional e se relega a plano inferior justamente as questões que remetem à afetividade, à amorosidade e à ética entre os familiares.

Sob o pretexto da obrigação não se discutem os papéis sociais de cada qual na construção da família. Simplesmente há alguém que, em uma dada circunstância, exerce o papel de mando e pronto. “Faça isso ou faça aquilo, porque é sua a obrigação de fazer”.

Quanto mais corroídas as relações intra familiares, mais isso ocorre.

Por outro lado, os papéis sociais dentro da família apresentam tensões permanentes que remetem não somente à configuração daquela, mas também ao sentido de identidade de cada um dentro da mesma. A discussão desses papéis é que poderia minorar as questões mais delicadas da família, e não o uso do argumento obrigacional visto acima.

Mas, para isso, deveria haver um despojamento e uma intencionalidade bastante clara de agir de modo independente, autêntico e não sub-reptício. As pessoas deveriam cumprir o nem sempre agradável caminho do carma, para poderem chegar ao darma. A maioria não está disposta a isso, preferindo se engalfinhar em um jogo inútil de poder dentro do seio familiar.

A difícil e conflituosa busca do darma implica, muitas vezes, em questões de sentidos e de sentimentos, como o da auto-imagem, o progresso ou a degradação havida pelo indivíduo ao longo dos anos de convivência com os familiares, sua experiência, seu auto-controle, sua satisfação e sua compreensão com os sentimentos menos nobres, mas altamente reconhecíveis, como a inveja, a mesquinhez, a indiferença e o simples ódio, sentimentos que envenenam a possibilidade real de uma melhoria das relações familiares e que, por isso, sempre utilizam o caminho do mando, ou seja, o caminho da obrigação e do constrangimento do outro.

A obrigação sempre existirá?

Sim, mas ela pode revestir-se de leveza, de humana solidariedade com aqueles outros que compõem a família, mas para tanto não é somente necessária a vontade, mas a predisposição real á convivência e a entender as diferenças que existem entre nós e os outros.

Sempre há, pois, a opção da delicadeza ou a opção do estresse conseqüente à obrigação contratual. Cabe a cada um de nós compreender e, de modo consciente, exercer nosso direito de opção. De todo modo, educar-se e conviver de modo legítimo com a diversidade e com as opiniões divergentes já é um bom início e um caminho bem razoável a ser trilhado. HILTON BESNOS

 

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