Diga não

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Não é uma palavra esquisita, estranha, um pé de cadeira quebrado, um pouco de solidão de si mesmo, algo limitante mas por vezes necessário. Sendo inevitável, sempre que o ouvimos, muitas vezes fingimos indiferença para disfarçar nossa frustração.

Do ponto de vista de quem o diz, o não parece nos proteger, mas também traz o gosto adstringente da confrontação, do isolamento. O olhar, que chega às raias da perfeição no que se refere a espelhar o que sentimos e desejamos, igualmente demonstra o negar de modo tão claro que dispensa qualquer outra manifestação, enquanto as redundantes sobrancelhas apenas limitam-se, como sempre, a apoiar o que já foi decidido.

O negar muitas vezes brota do intelecto e da razão, bandidas criaturas ocidentalizadas e travestidas dos significados de obrigação, punição e culpa, o que nos impele a sermos tão racionais e críticos e, mais ainda, tão juízes de nós mesmos e dos outros  o que, não raro, nos leva a sufocar em meio a tantas vicissitudes.

A pretensa razão, especialmente se vir caramelizada com o que chamamos de senso comum, muitas vezes confere ares de sabedoria às nossas inegáveis dúvidas e tolices arrogantes. O que a experiência demanda, os sentidos e significados muitas vezes desafiam, mas, por temermos o desconhecido, nos paralisamos ante alternativas diferentes e plausíveis.

O negar é tão necessário quanto o assentir; na medida em que o primeiro pode ser tão estúpido que leve à paralisia, o segundo pode ser tão anárquico que conduza à deriva. Talvez um caminho para aliviar um pouco o peso da razão seja nos deslocarmos da reta, do cálculo, da exatidão, e nos pormos ao lado da curva, da probabilidade, da criatividade humanas, mesmo do imprevisto.

Caso contrário, continuaremos usando o não como robôs de indústria, nos privando de prazeres e nos acumulando de estresse e de uma vida sem qualidade. Em relação aos demais, nos comportaremos sem empatia alguma. Nos esquecemos que não somos agentes obrigacionais, nem predadores do comportamento alheio.

É a necessidade, a experiência e nossas histórias pessoais e vivências que suportam nossas (in)decisões. Portanto, como quase tudo na vida, devemos ter parcimônia, o que é fácil de dizer e escrever, mas nem sempre fácil de executar. Nossos dizeres nos constituem e assim devemos ter cuidado quando falamos. Pensar é livre, mas, por outro lado, também é uma arte. De todo modo, há circunstâncias que nos levam a dizer não. Pois bem, corramos o risco das caras mal humoradas, das bocas sarcásticas, das ironias nem sempre veladas, das birras e dos não-reconhecimentos. Nada, contudo, deve nos impedir de dizê-lo quando a oportunidade assim aconselhar.

Não  podemos conviver sem frustrações, contrariamente devemos aprender a suportá-las. As relações sociais e produtivas e os nossos desejos são abarrotados de nãos em relação às permissões.

De todo, tenhamos cuidado pois o sorriso de bocas e dentes metálicos aguarda bem mais próximo de nós do que pensamos e pronto para nos devorar. HILTON BESNOS.

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