Não me conformo

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Dia desses me aborreci quando tomei o ônibus R41-Protásio. Podendo parar próximo a mim, e sem qualquer outro ônibus por perto, o motorista decidiu estacionar, simplesmente por uma falta de atenção com o passageiro, muito mais longe. Quando reclamei, fui destratado.

O que tenho observado, cada vez mais, é o individualismo, a inflamação dos egos e o banimento do humor e da delicadeza, que alguns chamam de urbanidade. Jovens e adolescentes que estejam sentados nas poltronas de um ônibus são incapazes de ceder seu lugar para grávidas ou para pessoas idosas ou com algum tipo de dificuldade.

Motoristas utilizam indiscriminadamente buzinas a todo instante, inclusive para assustar pedestres; costumam também alguns passar por cima das poças d’água em dias de chuva, para molharem os passantes que, por sua vez, tem o hábito de atravessarem ruas e avenidas como se estivessem em casa indo da sala para a cozinha, sem qualquer tipo de cuidado. Em dias de jogos de futebol ou algum outro evento de monta, saem os automóveis buzinando e os torcedores gritando, sem dar a mínima se estão ou não passando por algum hospital, por exemplo. O trânsito, assim como os hospitais e as salas de professores são locais sabidamente estressantes.

Colegas de trabalho não se comprazem mais só em bisbilhotar a vida de seus pares, usando ainda de maldade contra os mesmos, apenas para fazerem uma mediazinha com a direção, ainda mais em época de eleição de escola, ou em situação semelhante. Se você demonstra interesse em relação a terceiros, se os cumprimenta e os ouve educadamente, azar o seu, porque serão raros os que retribuirão. Há mais de vinte anos atrás Betinho, irmão de Henfil, ambos falecidos, disse em um programa que estava convencido que havia uma campanha mundial para imbecilizar as massas. Tenho plena certeza que ele estava certo.

Dias atrás a direção da minha escola convocou uma reunião com os professores. O únco assunto pautado foi, durante uma hora, uma reclamação constante em relação aos procedimentos errados dos professores em termos administrativos. Tudo foi cobrado. Em nenhum momento houve sequer uma referência a algo de positivo que os professores porventura tivessem feito. A direção esclareceu que uma boa parte das informações que serviram de base para a reunião partiram de alguns professores, obviamente não identificados mas, por alguns, facilmente identificáveis, o que fomenta ainda uma separação maior entre o grupo. E aqui, o adágio judaico cabe: “O que Pedro diz sobre Paulo diz mais sobre Pedro do que sobre Paulo.”

Esse deslocamento que sinto às vezes em relação à época em que vivo é muito real. Gostaria de não ser um número, uma matrícula; adoraria viver em um mundo com mais gentileza, mais autenticidade, mais solidariedade; adoraria ser respeitado pela história pessoal que construí ao longo dos anos, e não de ser tratado como alguém que só interessa quando e nas circunstâncias em que são consideradas convenientes por “a”, “b” ou “c”, sejam quem sejam. O mesmo estendo aos demais e de modo geral. Continuo detestando arrogâncias, burrices, desinteligências, games e estratégias. Mas, definitivamente, deveria me conformar a isso tudo. E aí, talvez o problema seja meu: não me conformo.

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