É preciso não apenas pensar, mas pensar bem

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A DE HOJE – A filosofia é a arte de pensar, e se assim é, pensar filosoficamente é uma arte, por similitude. É, contudo, virtualmente impossível deixar de pensarmos, pelo que é sempre relevante lembrarmos Freire, que ensina que é mais importante pensar bem do que simplesmente pensar. E aí, na perseguição ao raciocínio, digo que pensar bem exige bem mais do que boas intenções, ou mais do que maquinismos cerebrinos, ou mais ainda do que repetir ad nauseam conceitos e comportamentos bizarramente cultivados pela imbecilidade humana. Ainda discutimos questões como aborto, prostituição, e a eterna capacidade humana para o egoísmo e para a falta de solidariedade; ainda matamos o outro e o ignoramos por causa de questões religiosas. Evoluímos de modo notável no item tecnologia e empacamos melancolicamente em áreas que exploram justamente tais debilidades e que se voltam a entender o próprio homem. Nossa religião, seja qual for, é sempre a melhor, a que deve ser seguida, nossa cultura é sempre por igual a que melhor se adapta aos costumes humanos de modo genérico e a nossa inteligência para confundirmos conceitos é grandiosa. Evoluímos muito pouco, se levarmos a miséria humana cultivada como um produto industrial e se mais ainda pensarmos na precariedade das relações insensatas com as quais nos debatemos em nossos dias-a-dias conflituosos.

A questão central não parece ser a de encaminharmos conflitos de modo a superá-los, mas sim provarmos que nosso ponto de vista é superior ao do outro. Portanto, não iniciamos uma discussão para chegarmos a um ponto comum de possível convergência, mas para eliminarmos o argumento do outro, quando não eliminarmos o próprio outro. Temos um comportamento competitivo, portanto usamos a agressividade quando dela não necessitaríamos, além do que concorre junto a tendência de mando, pois o mando é confundido com o poder, por pífio que ele possa ser.

A expressão “manda quem pode e obedece quem precisa” é exemplar nesses casos, assim como não é raro que além do que a frase explicita, encontremos claramente os princípios da alienada submissão por interesse ou por necessidade ou ainda por conveniência. A autoridade que deveria se basear na experiência, no respeito e mo conhecimento baseia-se em qualquer outra coisa ou coisas, menos nesses três itens.

Há contudo, acima de tudo, a questão do conhecimento, e a mãe de todo conhecimento, além da experiência, é a filosofia, que alguns pensam que em nada influencia nas nossas vidas, o que é de uma inconsistência profunda.

Pois vou contar uma história: quando queria definir sua futura profissão, meu filho ficou em uma dúvida que o atormentava. Durante a maior parte do tempo, ele vira o pai trabalhar como professor e advogado. Um dia ele me chamou para que conversássemos, e pelo tom senti que era algo bastante sério. Ele não conseguia achar as palavras certas, mas a confiança entre nós foi abrandando tudo. Finalmente ele me disse que não queria ser advogado, como sempre me falava, mas, sim, publicitário. Dei-lhe apoio e lhe expliquei que ele não deveria, em hipótese alguma, fazer algo que não gostaria tão-só para satisfazer-me. Foi um dos meus orgulhos aquela conversa, na qual liberei meu filho para que voasse. Além de entender justa a minha decisão, utilizei uma frase de Confúcio.

Confúcio, em sua extensa sabedoria, disse: “Escolha um trabalho que você ame e você nunca terá que trabalhar um dia em sua vida”. Estava ali a resposta, e isso foi muito bom. Logo, a síntese não pode, muitas vezes ser razoavelmente feita se você não busca a fonte adequada. E as fontes residem no conhecimento. Não em qualquer conhecimento, mas no que ajuda não apenas a você, mas a toda a comunidade que você está inserido. Da mesma forma, não basta ser apenas inteligente, se você não usa a sua inteligência para resolver problemas que não somente o envolvem, mas que tem uma maior abrangência. Ser inteligente não  basta, conhecer não basta. Novamente a Filosofia nos ensina que é necessário mais. É nesse sentido que Immanuel Kant, filósofo, ensinou que ou bem as coisas tem um valor ou bem as coisas tem um preço. Pensar por pensar não basta, assim como uma semente jogada sobre uma pedra e não cultivada não prospera.

Percebe-se, então, que Filosofia é necessária para que possamos não apenas entender o mundo como nos entendermos melhor e aos outros. E, por incrível que pareça, não dói. O que dói profundamente é a ignorância. Para isso vou me valer de uma expressão em inglês: “if you try education is expensive, try ignorance. Se você pensa que a educação é cara, experimente a ignorância. HILTON BESNOS

 

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