Pedro e Benjamim

Partilhava o homem de uma amizade sincera, que se dava entre ele e Pedro. Um dia, ambos não mais se viram, e Pedro foi morar muito longe, e acabaram, ambos, como ocorre de quando em quando, por se distanciarem e ao final, por se perderem.

Anos se passaram e ambos passaram a ser, um para outro, uma cálida lembrança, apenas um fio de sonho, passagens e memórias em comum.

Em uma noite de inverno, Pedro estava em sua casa quando, de repente iniciou uma ventania muito estranha, incomum. Ao olhar pela janela, notou que as folhas das árvores pareciam não mover-se. Em realidade, parecia que tudo havia ficado suspenso, e mesmo os sons comuns que vinham da rua lhe pareceram emudecer.

Então, de onde lhe vinha aquele tremor, aquela sensação repentina de frio? senão…de si mesmo! Onde estava Benjamim, e porque a lembrança do amigo lhe era tão viva, tão real, tão próxima de si que praticamente podia escutá-lo, sentir-lhe a presença? Onde, Benjamim, onde você estava, agora, perguntava-se angustiado Pedro, enquanto as sombras deslizavam, imperceptíveis entre Pedro e as janelas?

……

Em algum lugar ermo, perdido no tempo, Benjamim observava Pedro. Via-lhe o desespero, as lágrimas que acudiram o amigo, mas, sabia, que, independentemente da vida que ambos levaram, dos destinos e das estradas percorridas, ambos estavam mais próximos que nunca. Em breve poderiam, calmamente conversar, enquanto, lá fora, uma chuva miúda anunciava mais uma noite fria e, infelizmente, sem luar. Hilton Besnos

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