ÁGORA CONCEITUAL

ALFABETIZAÇÃO

A inserção no mundo alfabético/letrado é fundamental para lidarmos com as alternativas do cotidiano, mas não só aí. A  alfabetização requer  que falemos e nos expressemos de modo correto, além de sermos capazes de comunicar, por fala e por escrito nossos sentimentos, opiniões e pensamentos, de forma coesa e coerente, possibilitando acesso real à cidadania. Portanto, apenas decifrar o código linguístico não é suficiente, por impossibilitar muitas vezes redigir, entender e mergulhar no mundo letrado, o que torna o mesmo bem mais independente em relação ao que lhe é proposto. Logo, a alfabetização igualmente funciona como um eficaz e poderoso filtro social. 

CIDADANIA

O conceito de cidadania (que vem de civitas, no latim) é qualidade do cidadão que conhece seus direitos e deveres sociais, civis e políticos e exerce-os em sua plenitude, sendo uma prerrogativa indispensável aos modelos políticos ocidentais. A cidadania teve um alargamento bastante considerável após o final da Segunda Guerra Mundial, no âmbito do Estado de Bem Estar Social (welfare state), que estendeu consideravelmente seus direitos.  

CULTURA 

Cultura é o complexo que abrange o conhecimento, as artes, as crenças, o campo popular, costumes, folclore, hábitos e comportamentos criativos de um povo ou de uma sociedade em um determinado período histórico, e assim transmitida para as gerações vindouras, fazendo parte da identidade comum a um mesmo povo ou sociedade. A noção geral, quando falamos em cultura, é a de um grupo de pessoas pertencentes ao mundo rico, universitário, culto, que tenha dinheiro e poder. Mas essa noção de cultura não é a única. As criações populares, as lendas associadas, as músicas tradicionais dos locais, a pintura, a literatura,  os costumes, as festividades, os eventos populares, enfim, a atividade humana irá gerar cultura. Há uma tendência, que persiste, de considerar a cultura como um atividade das elites mas esse conceito é ultrapassado.

EDUCAÇÃO Do latim educere, que significa literalmente “conduzir para fora” ou “direcionar para fora”.

 

Dentre as diversas possibilidades, decidimos por defini-la como um processo não apenas de aquisição de conhecimentos, mas de socialização e de alcance de novas habilidades e capacidades de entender e lidar com a cultura, a multidisciplinaridade e o convívio humanos. A educação formal que acontece nas escolas e instituições de nível superior é afetada pelas políticas educacionais e interesses do Estado, além de garantir, do ponto de vista social e político a manutenção da língua e da identidade nacional. No entanto, a educação não formal é um processo social, econômico, político e cultural, recebendo as influências da língua, da família, da comunidade, enfim, de várias e múltiplas instâncias que não apenas as da escola propriamente dita.

ESTUDO

O que é melhor: estudar ou não? Realmente o estudo é o grande bálsamo para nossos males? Vale a pena renunciarmos aos prazeres fortuitos para construir algo melhor, se sequer pode o estudo ser avalista de um futuro melhor? São questões importantes. Do que podemos ou queremos abrir mão para melhorarmos a nossa vida? O que podemos fazer em um mundo no qual mais de noventa por cento do dinheiro está concentrado em alguma famílias multibilionárias? Qual a importância disso na nossa vida? Se nos empenharmos sob sacrifício teremos a certeza de que tudo ficará melhor? Essas e outras perguntas costumam nos acorrer, especialmente quando não estamos satisfeitos com o que temos e não damos valor ao que conquistamos. Ao vermos somente o outro e seus sucessos, projetamos nossas vidas sobre o que esse outro aparenta ser. E perdemos um tempo enorme e degradamos a nós mesmos e as nossas possibilidades reais quando usamos o outro como espelho. Nos tornamos mal humorados, previsíveis, irados, tristes, deprimentes quando nos negamos a melhorar nossas  vidas. E isso significa que passamos a não administrar possíveis oportunidades, inebriados que estamos com o outro, que passa a ser um triste espelho de nossas depressões. O primeiro a ser conquistado é a nossa auto-estima. A partir daí, aprender sempre com o outro pode ser um caminho bastante recompensador, de modo a podermos organizar de modo mais qualificado nossos próprios desejos e conquistas. Confie em você.

 

FINANÇAS

Melhor pesquisar em supermercado, melhor cartão de crédito ou empréstimo bancário? Melhor esperar que comprar agora? E até quando podemos ainda retardar nossos desejos, se o mundo parece comprar? Qual nossas reais necessidades e como administrá-la em um mundo no qual o consumismo e o consumo (que são coisas diferentes) parecem nos pressionar a todo momento (e realmente ora)? Determinamos nossos padrões de consumo não apenas em razão do que necessitamos mas, especialmente do que desejamos. É possível melhorar nossa situação sem colocarmos mais uma fonte de renda aí? Se o problema são os gastos, temos de descobrir como melhorar essa relação com o dinheiro, E podemos melhorar, sim, desde que utilizemos mecanismos de controle mais eficazes e que a família tenha objetivos comuns.

 

LEITURA CRÍTICA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

Quando falamos em  uma leitura crítica dos meios de comunicação, temos de considerar que as informações que nos chegam partem de empresas especializadas que tem interesses comerciais,  sociais e políticos, muitos dos quais desconhecemos ou não reconhecemos. O que nos é comunicado  passa obrigatoriamente por tais interesses e por uma pauta orientadora e discriminadora do enfoque e dos temas a serem abordados, pois a informação não é neutra. Quanto mais nos educamos, mais críticos nos tornamos, tendo condições de filtrar os interesses em um telejornal, nas análises apresentadas e nas pautas que recebemos. O desconhecimento das intenções veladas das notícias nos torna passivos para aceitarmos, pura e simplesmente o que nos dizem. A partir de um conhecimento mais amplo, entendemos as mensagens não ditas, o que fica nas entrelinhas e por que algumas informações são ampliadas e repercutidas e outras são sonegadas.

PESQUISA DE CAMPO

A pesquisa de campo procede à observação de fatos e fenômenos exatamente como ocorrem no real, à coleta de dados referentes aos mesmos e, finalmente, à análise e interpretação desses dados, com base numa fundamentação teórica consistente, objetivando compreender e explicar o problema pesquisado. Ciência e áreas de estudo, como a Antropologia, Sociologia, Psicologia, Economia, História, Arquitetura, Pedagogia, Política e outras, usam freqüentemente a pesquisa de campo para o estudo de indivíduos, grupos, comunidades, instituições, com o objetivo de compreender os mais diferentes aspectos de uma determinada realidade. Exige também a determinação das técnicas de coleta de dados mais apropriadas à natureza do tema e, ainda, a definição das técnicas que serão empregadas para o registro e análise. Dependendo das técnicas de coleta, análise e interpretação dos dados, a pesquisa de campo poderá ser classificada como de abordagem predominantemente quantitativa ou qualitativa. Segundo Franco (1985) numa pesquisa em que a abordagem é basicamente quantitativa, o pesquisador se limita à descrição factual deste ou daquele evento, ignorando a complexidade da realidade social.

POLÍTICA

O Estado é um ente de ficção, mas é um ente poderoso. A União, o Estado, o Município e suas leis, e suas políticas, muitas vezes incompreensíveis e seus partidos políticos. Mais:ultimamente o ódio, que nos é muitas vezes tomado como indiferente, mas é fundamentalmente cruel. Votando ou não votando, uma coisa é certa. O ano que vem nos reservará eleições. Haverá um Prefeito, uma Câmara de Vereadores, haverão partidos políticos dispostos a colocar suas ideias; enfim, haverá um corpo de leis, de disciplinas, de normas a serem seguidas. Ou entendemos o mínimo sobre política ou apenas seremos passivos, sofrendo conseqüências e fadados a repetir o que os demais dizem. Nossa palavra pode ser qualificado, e podemos, finalmente, entender o que é cidadania, ou ficarmos balindo, tal qual ovelhas. Podemos ser ativos através de nossos estudos, através das associações de bairro, conhecendo nossos direitos e deveres, sabendo com quem falar e especialmente o que falar. Para isso, temos de entender o Estado e suas instituições, o que são opções políticas e como se formatam os governos. O convite é nosso, aceitá-lo ou não é uma deferência sua. De todo modo, melhor entendermos nossos passos que aceitarmos brigar na escuridão e sem objetivos claros.

PSICOLOGIA

Saber lidar com as perdas materiais e psicológicas, com as frustrações, como relacionar-se consigo e com os demais, em dias nos quais os relacionamentos pessoais cada dia mais se tornam fluidos e mesmo desinteressantes não é tarefa fácil. Estabelecer vínculos profundos, aumentar nossas habilidades de conhecimento do outro nem sempre é mais do que mensagens que perpassam redes sociais. Para isso, o primeiro ente a ser conhecido e reconhecido somos nós mesmos, aprendermos a não vermos apenas nossos defeitos, mas, por igual, nossas qualidades, nossa empatia. Colocar-se no lugar do outro, não vê-lo como ameaça, como um rival é melhorarmos nossa auto-estima, é nos assenhorarmos de nossas vidas. Lidar com o melhor e o pior que tenhamos não é exatamente a melhor das tarefas, mas é necessário, assim como é descobrirmos nossos talentos e podermos compartilhá-los com os demais. Sentidos, sentimentos e valores nos contróem desde sempre.

 

SIMBOLOGIA

 

Poderíamos abordar as questões simbólicas sob várias formas. Um símbolo representa alguma coisa, de modo genérico uma comunicação, seja de modo textual, seja uma ideia, seja uma proposição ou algo que nos indica um comportamento a ser seguido. Mais que isso, os símbolos fazem parte de nossos esquemas mentais e predeterminam algo que nos seja valioso, ou imperativo ou estimulante. Nossos caminhos mentais se orientam quando postos em frente a um símbolo, porque então se desata uma associatividade entre o símbolo e um padrão cultural já conhecido. Se eu dizer a palavra ouro, poucos a entenderão como um simples metal. Contrariamente, a palavra está ligada à propriedade, à riqueza, à fartura, a uma vida sem atribulações. Essa é uma das maiores funções do símbolo, sem o qual ele perde muito de sua substância:  a associação e acesso a uma dada cultura. No entanto, sua influência é extremamente elevada no nosso cotidiano. Tão elevada que passa a ser naturalizada, como se fosse absolutamente inquestionável. A função simbólica é assim: de todo o modo, determinante.

TECNOLOGIA

A tecnologia é, em suma, ciência aplicada. No entanto, o alcance dessa aplicação é basicamente total em nossas vidas. Normalmente pensamos nas questões ligadas às comunicações de modo geral: celulares, computadores, redes de internet, transmissão ao vivo de espetáculos, enfim… O que nos esquecemos, porque já naturalizado, é que a tecnologia intervêm fortemente em todas as áreas culturais humanas, como, por exemplo, nos alimentos, na agricultura, na engenharia, nos processos de industrialização, nos aspectos da produtividade, nos deslocamentos, na vida na cidade desde a construção civil até na medicina e nos fármacos em geral, na indústria do ócio, na disposição do trabalho como  está posta, nos relógios que usamos para pautar nosso tempo, nas transferências bancárias, nos cálculos dos juros, nas bolsas de valores, na economia, na indústria imobiliária, nas novas sementes geneticamente modificadas, nos alimentos transgênicos, na indústria bélica, nos controles que nos controlam. Entendamos ou não, queiramos ou não, gostemos ou não, somos inundados pela tecnologia o tempo todo. Para alguns, não passamos de escravos da tecnologia, que é nossa senhora absoluta. Somente o entendimento pode nos tornar, senão mais livres, menos vassalos.